XC - Cross Country, como começar?

O desafio de usar bem cada térmica pensando na próxima e na próxima e...


Diversas vezes me pego falando sobre XC com algum piloto iniciante ou intermediário e ainda fico surpreso com o olhar admirado e distante com o qual este me olha enquanto falo. Enquanto falo da paixão que tenho pelo vôo de distância, da forma como encaro lidar com variáveis tão voláteis, do sentimento de superação, da emoção do sucesso planejado, da frustração pela desconcentração ou excesso de confiança... enfim, enquanto falo de XC. Não sei ao certo se o olhar fascinado e distante é resultado de uma viagem momentânea ou se uma interrogação derivada do desconhecimento. De qualquer forma, recentemente me dei conta de que seria preciso achar uma forma de deixar o piloto fascinado, mas, ao mesmo tempo, seguro de que tudo isto está a seu alcance também.

Pois bem, acho que este espaço é um bom lugar para exercitar este trabalho.

Numa abordagem atualizada bem rudimentar, XC não é nada mais do que um tipo de vôo no qual se objetiva colocar o máximo de distância, em linha reta, entre o seu ponto de decolagem e o seu ponto de pouso. Então, o piloto ainda virgem no XC, deve se lembrar que todas as suas ações em vôo devem viabilizar ou facilitar o seu afastamento do ponto de decolagem.


Aqui no site, no menu OUTDOOR, temos acesso a uma ferramenta bem versátil para Planejar Rota (imagem abaixo). Todo bom voo começa com um bom planejamento. Em outro material vou falar melhor sobre planejamento de rota.

Pensando nisto, a primeira coisa que o piloto deve fazer é começar a praticar o DGT (Decolagem + Ganho + Transição). Decolar em momento favorável, começar a ganhar o mais rápido possível e saber identificar o momento e direção da transição, primeira tirada.

A falta de uma sistemática para o início do vôo limita muitos pilotos e torna seu desempenho muito irregular. Algumas vezes o cara sai na hora certa, outras vezes consegue ganhar de forma rápida e, de vez em quando, faz a transição no momento e direção acertados. Ou seja, o piloto não consegue uma regularidade nos resultados de seus vôos. Ainda vejo em várias rampas pilotos querendo evoluir no XC e que não conseguem bons resultados devido à falta desta sistematização estratégica. O que sugiro, na prática, é que o piloto já chegue na rampa com uma avaliação prévia da condição, mesmo que uma avaliação fraca, e comece a montar seu equipamento com uma rota de vôo em mente, baseada na avaliação prévia da condição.


Aqui no site, no menu OUTDOOR, temos acesso a uma ferramenta bem prática para o piloto escolher uma rampa para voar e avaliar a condição climática na mesma, Onde Voar (imagem abaixo). Em outro material vou falar melhor sobre a análise da condição.


Uma vez com o equipamento montado e tudo checado, sugiro que o piloto reavalie a condição e se prepare para decolar. Aí começa a vantagem para quem tem um DGT sistematizado e bem afinado. Muito piloto perde tempo divagando sobre para onde ir e muitas vezes, após decolar, fica na dúvida sobre a linha de deriva. Isto acaba comprometendo o início do XC.

Então, o lance é decolar em momento favorável (investimento de curto prazo). Daí o piloto deve se posicionar no local com maiores possibilidades de subida rápida e começar a procurar o seu elevador (investimento de médio prazo). Uma vez que o piloto encontre uma boa termal e garanta uma subida consistente e promissora, ele deve começar a avaliar a condição na rota já definida e fazer a transição em momento e direção corretos (investimento de médio/longo prazo).


Conseguindo se conectar com a famosa 2a termal, o piloto deve agora considerar o seu XC iniciado, deve se focar ainda mais no seu objetivo e sistematizar as ações GAT (Ganho + Avaliação + Tirada). Ganhar da maneira mais eficiente possível, subir avaliando a condição do momento (lembrem-se da janela operacional – linha vertical x horizontal – atividade térmica x evolução do horário) e a evolução na rota e tirar em momento e direção acertados.

Pilotos sem sistematização GAT, perdem muito tempo subindo até a base em todas as térmicas, para, acreditem, poder procurar térmicas a esmo por mais tempo. Isto não faz sentido. Perde-se tempo e joga-se combustível, altura, fora de maneira desnecessária. No início acho mais que certo subir mais para aumentar a margem de erro, mas a experiência deve ir afinando esta ação.

Então, agora o lance é estar sempre concentrado, registrando o que se experimenta a cada momento do vôo a cada faixa de altura (vento, instabilidades, intensidade das térmicas) e focar na procura da próxima térmica. Isto mesmo. No início o grande desafio que o piloto inexperiente deve se propor é simplesmente tentar achar o máximo de próximas térmicas possíveis. A cada próxima térmica encontrada, pratique a enroscada para maximizar a subida, avalie a condição para registrar o que está acontecendo e entender a evolução do dia, avalie a rota de vôo para definir a próxima tirada e identificar o momento certo de iniciá-la e, uma vez iniciada a tirada, não fique na dúvida. Voe com determinação e esteja atento na busca pela próxima próxima.


Bons e longos vôos a todos


Júnior CB

XC Selva.png

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