TOP LANDING

Atualizado: Nov 3

A arte de pousar no topo de serras ou montanhas


Olá amigos, hoje resolvi falar de uma técnica do voo livre que é muito pouco praticada aqui no Brasil, obviamente por uma total falta de necessidade mesmo. Opa, será que não temos necessidade de conhecer essa técnica???


Bem, moramos num país enorme e com rampas de voo espalhadas de norte a sul. A grande maioria de nossas rampas está situada em regiões com muitas áreas planas e quase todas com muitas opções de pousos regulares, aqueles em que se aproxima em "S", em oito (8) ou em zero (0) e pronto. Show!!!


Pois é, mas isso não é uma realidade em 100% de nossas regiões de voo. Em algumas regiões os pousos são restritos e em outras o que se complica, em decorrência do relevo montanhoso, são as tiradas iniciais para o voo de distância.


Bem, não importa se o seu local de voo tem as montanhas como desafio para pousos ou para tiradas para os voos de distância, este texto tentará apresentar a vocês um pouco da técnica de TOP LANDING, pousar no alto de montanhas.


Diferentemente do pouso regular, pousar no topo de montanhas apresenta alguns desafios extras: a. Atividade térmica mais intensa;

b. Ventos canalizados e/ou convergências;

c. Possibilidade de ficar baixo e não mais alcançar o pouso alvo;

d. Zonas de rotor variáveis;


Mas, assim como num pouso regular, temos que estar atentos a diversos pontos básicos:

a. Direção predominante do vento;

b. Fios e cercas;

c. Dimensões da área;


Na foto abaixo temos a visão de um local que comecei a explorar para o hike n'fly em Valadares.

As primeiras coisas que eu observo para um ponto de top landing são a sua dimensão, a inclinação do relevo e face para o vento. Diferente de quando vamos pousar numa área totalmente plana, no top landing vamos lidar com o efeito de lift do vento na encosta, com o efeito de térmicas subindo pela encosta e, dependendo da posição e tamanho da área, vamos lidar com o rotor parecido com o encontrado em falésias ou platôs, aqueles em que entramos num elevador descendente vertical.

Dito isto, é preciso sempre fazer a avaliação da área e apurar todas estas variáveis para saber o grau de dificuldade técnica que o pouso pode apresentar. E, com tudo mapeado, é hora de se aproximar para pouso.

Uma atenção especial que o piloto deve ter na aproximação para top landing é quando ele está tentando operar este pouso em horário de ainda forte atividade térmica. Sim, se ainda há boa atividade térmica, e dependendo do local onde você vai pousar, o que foi o caso do pouso exibido nestas fotos, você tem que lidar com a dificuldade de perder altitude e também com o limite de não perder altitude demais e perder o pouso alvo. Pois, se há térmicas, também haverá descendentes.

Em alguns casos eu preciso fazer manobras para perder altura de maneira mais determinada e operar o pouso mas, neste das fotos, optei por fazer toda a aproximação e pouso de maneira conservadora, apenas driblando as térmicas e usando as descendentes.

Um detalhe que sempre friso quando converso sobre top landing com pilotos é que é necessário estar muito atento à pressão nos freios. As variações podem ocorrer de forma muito mais rápidas e o piloto deve estar atento para responder de forma adequada. O maior complicador é a proximidade com o relevo ainda com muita altura em relação ao solo plano, o que faz o parapente estar exposto aos efeitos de lift, térmicas e descendentes e nem sempre o piloto tem muita altura livre abaixo dele para livrar pêndulos ou mergulhos.

Esse pouso não é muito fácil pois, como vocês podem ver nas fotos, a face da parede é toda de pedra e com boa inclinação para o sol. É térmica atrás de térmica desprendendo e complicando a aproximação.

O que eu fiz neste caso específico foi fazer a aproximação final pela zona de rotor da área de pouso. O vento era NW e eu sabia que isso faria com que o vento subisse a encosta a NW da área de pouso fazendo pequenas ondas de rotor na direção E e NE. Usei justamente essa área a E e NE do ponto de pouso e entrei para a reta final de pouso. Fui seguindo o canal descendente, sempre atento, bati na zona de maior perturbação do rotor com a típica térmica, sai dela, passei o ponto de turbulência e comecei a descer rápida e docilmente até bater no vento mais regular próximo ao relevo e pousar com perfeição.

Como qualquer outra técnica da pilotagem de parapente, o top landing demanda leitura, conversa e treino. Comece com áreas grandes e com bons escapes em caso de erro.

O grande lance é que, uma vez que você domine a técnica de top landing, seus horizontes no voo livre vão se expandir ainda mais.


Bons e longos voos,


CB

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