Tamanho do Parapente

Atualizado: Set 23

Qual o tamanho ideal do parapente para você?


Está aí uma questão muito interessante e que, na minha opinião, é erroneamente (ou inocentemente) avaliada pela grande maioria dos pilotos de parapente - quando se pensa na performance do parapente.


O padrão de análise atual, da maioria dos pilotos, leva em consideração somente as variáveis numéricas estáticas do piloto e do equipamento: Peso do Piloto + Peso dos Equipamentos Transportados em Voo + Faixa de Peso Suportado pelo Parapente. Ou seja, o piloto calcula seu peso de decolagem e avalia o tamanho do parapente para comportar sua carga total ficando ali por volta do meio da faixa de peso tolerado.


Nos meus últimos cursos de XC (Técnicas para Voos de Distância) tenho começado a divulgar um pouco mais alguns fundamentos que são utilizados em outros esportes e que podem (ou deveriam) ser aplicados ao parapente pensando nas variáveis aerodinâmicas do equipamento (estáticas) e também nas variáveis das condições meteorológicas (dinâmicas).


ALERTA: Este assunto é direcionado para a prática do voo de distância (XC) buscando a máxima performance.


Vamos recordar que a faixa de peso de um parapente significa o tamanho da janela entre o peso mínimo e máximo para a qual o parapente foi projetado para operar mantendo sua performance e nível de segurança e que todo parapente é testado quanto à carga máxima (3s com 8g aplicados sobre o peso máximo - além de outros testes de shock) e quanto à recuperação de incidentes (sendo voado no peso mínimo e no máximo).

Nota: O parapente é classificado com a sua pior nota considerando tanto o teste no peso mínimo quanto no peso máximo.

Nota Aerodinâmica: Quanto maior um aerofólio (parapente), considerando um mesmo modelo, mais eficaz ele é.


AVALIAÇÃO DO TAMANHO E DA FAIXA DE PESO


O que tenho recomendado é que o piloto se lembre que, ao decolar para um longo e bom dia de XC, ele vai encarar duas ou três fases distintas de intensidade da condição de voo. Se decolar muito cedo vai encarar três fases, se decolar mais tarde vai encarar duas fases. Então, deveria ter um conjunto de voo mais adaptável a essas fases.

O ideal seria que o piloto pudesse decolar mais leve para lidar melhor com a condição fraca do início do dia (cedo), depois (meio do dia) conseguisse ir para uma carga de voo maior, para um melhor desempenho na condição mais forte do dia, e então (final) voltasse a ficar leve para o melhor aproveitamento das condições fracas e decadentes do final do dia.

Infelizmente sabemos que não temos como decolar com menos carga e depois termos mais carga (o que exigiria um abastecimento em voo). O que podemos é somente ter uma carga X e depois, ao final do dia, irmos para uma carga menor através da liberação de peso (lastro).


Imagine um piloto que usa a abordagem tradicional de ter um parapente (vela) no qual sua carga de decolagem é estática (não pode variar), que pese 85kg e que sua mochila completa pese 20kg. Ele vai decolar com uma carga de aproximadamente 105kg e, usando a fórmula para identificar o tamanho ideal de parapente para sua carga total de decolagem estática, vai ter um de 90kg a 110kg. Fórmula: Sobre os 20kg de faixa de peso (110kg - 90kg) se aplica 70% de uso (20kg * 70% = 14kg). O resultado (14kg) é somado ao limite mínimo da faixa (90kg) e se tem o peso ideal de decolagem daquele tamanho de vela: 104kg.

Observação: Minha recomendação de 70% de uso da faixa de peso visa dar ao piloto uma carga de decolagem que funciona bem nas 3 fases do dia (início, meio e fim) balanceando pilotabilidade, capacidade de boiar e velocidade.

Observe, na figura acima, que o piloto acaba tendo uma carga de voo mais adequada para apenas uma das fases do dia, mas ficando menos performático nas outras por estar muito leve ou pesado demais.


A técnica que aplico é para dar ao piloto uma nova visão ao escolher um parapente para comprar (visando a modalidade XC mais séria). Recomendo que o piloto procure um parapente em tamanho no qual ele fique pouca coisa acima do peso mínimo, com sua carga de equipamentos normais, e sempre use um lastro de água para completar a sua carga de decolagem, de acordo com a previsão de intensidade de vento e atividade térmica do dia.


Recomendo que o piloto faça a seguinte conta, considerando 10kg (10L) de lastro:

- Meu peso com a mochila completa nas costas = 105kg - Meu peso total (105kg) + 10kg de lastro = 115kg

- Escolher um tamanho de parapente em que o peso mínimo não seja maior do que 105kg e que, se possível, 115kg represente o uso de 70% a 90% da faixa de peso.

Nesse caso o tamanho ideal do parapente, para máxima performance no XC, seria um de 105kg a 120kg.


O primeiro ganho incontestável é voar com um parapente ao menos um tamanho maior, óbvio que com uma carga alar adequada - atingida com o lastro. Então, em todas as situações de performance absoluta, o piloto passará a ter um desempenho superior ao que teria com um parapente menor.


O segundo ganho, a cereja do bolo, é poder adaptar o parapente à condição do dia ou do horário. Se vou voar num dia mais forte, mais intenso de vento e atividade térmica, vou decolar com mais lastro. Se o dia não está me parecendo grandes coisas e o vento também não está soprando forte, vou decolar com menos ou até nenhum lastro. E também posso num dia bom e intenso, após as 16h - quando a condição fica fraca, me livrar de parte ou de todo o lastro e começar a boiar mais e usar a condição em suas menores manifestações até o final do dia. Coisa que um piloto voando com carga estática não pode fazer.

Observe na figura acima que, tendo a possibilidade de liberar peso ao final do dia, o piloto consegue ajustar sua carga para uma mais adequada para o final do dia térmico.


O grande objetivo desse conteúdo técnico é demonstrar que existe uma maior ou menor adequação da carga alar de acordo com o perfil e horário do dia térmico e que, se você usar melhor os recurso disponíveis para nosso esporte, pode ter um rendimento superior.


Pense nisso!!!


CB

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